Manuel Magalhães: o português que ajudou a transformar Chimoio e ainda hoje é lembrado como “pai” da cidade
Uma história pouco conhecida sobre o desenvolvimento de Chimoio está a voltar ao centro das atenções. Manuel Magalhães, engenheiro português que trabalhou no centro de Moçambique durante o período colonial, é apresentado pelo jornal Expresso como uma figura que teve um papel marcante na construção e organização de uma nova comunidade junto à cidade.
Contratado inicialmente para administrar uma das maiores fábricas têxteis do Hemisfério Sul, Manuel Magalhães acabou por assumir um papel muito mais amplo. Ao longo dos anos, esteve ligado à criação de habitações e serviços destinados a milhares de trabalhadores, contribuindo para o desenvolvimento de uma área que viria a crescer junto de Chimoio.
A família de Manuel Magalhães viveu no chamado Bairro Salazar, onde o engenheiro construiu a sua vida ao lado da mulher, Maria Irene, e dos seus sete filhos. Fotografias da época ajudam a recuperar uma parte da história social de Chimoio.
Segundo o relato publicado pelo Expresso, Magalhães não regressou a Portugal imediatamente após a independência de Moçambique. Permaneceu no país durante vários anos, até que circunstâncias relacionadas com a intervenção do Banco Mundial acabaram por contribuir para a sua saída definitiva.
Décadas depois, a memória do engenheiro continua presente entre alguns habitantes. O município de Chimoio decidiu homenageá-lo postumamente, atribuindo o seu nome a uma praça — um gesto que demonstra que a sua passagem pela região deixou uma marca que ultrapassou o período em que viveu e trabalhou no local.
O mais curioso é que, segundo o Expresso, há habitantes que ainda recordam Manuel Magalhães com carinho e chegam a pedir o regresso do “pai”, expressão que revela a dimensão da memória deixada por ele entre parte da população.
A história, porém, também merece ser observada dentro do seu contexto histórico. Manuel Magalhães trabalhou durante o período colonial, num sistema marcado por profundas desigualdades sociais e políticas. Por isso, a sua trajetória pode ser vista simultaneamente como parte da história do desenvolvimento urbano e industrial da região e como parte de um passado colonial complexo.
Hoje, quando Chimoio continua a crescer e a transformar-se, a história de Manuel Magalhães recorda que as cidades são também construídas pelas pessoas que deixam marcas nas suas comunidades — algumas delas controversas, outras admiradas, mas todas importantes para compreender o passado.
Uma pergunta permanece: quantas outras histórias de pessoas que ajudaram a construir Chimoio ainda permanecem esquecidas?

